// Essencialmente imagem – Personagens importantes da cobertura de Moda e Fotógrafos comentam sobre seu trabalho.

Nenhuma revista, site ou jornal é feito apenas com textos. Os fotógrafos são figuras fundamentais na hora de narrar os fatos. E como o jornalismo de Moda, com a popularização da profissão e o desenvolvimento da área, seu papel se torna ainda mais relevante.

O fotógrafo Italiano Danilo Russo, que já clicou editoriais para as “Bíblias” especializadas ao redor do mundo, como Vogue, Harpers’s Bazaar, Elle e Marie Claire, defende que a fotografia de Moda não é menos jornalística do que outras imagens de Fotojornalismo. “Existe um certo preconceito contra o jornalismo de moda, mas eu comunico tanto quanto os fotojornalistas, apenas uso linguagens ou sentidos diferentes. Não é uma fotografia menor , é apenas outro assunto. O Fotojornalismo trata da  atualidade em geral. A fotografia de moda trata do costume, de comportamento. esclarece.

Ele também explica que, embora não seja uma forma de fotografia artística, a fotografia de moda dialoga constantemente com outras formas de expressão. “A fotografia de moda tem uma história própria desde a sua origem, no começo do século 20. Como um registro fotográfico de uma época, ela se inspira em diversas áreas, como cinema ou arte.”

Atualmente, Danilo trabalha também como professor em sua própria escola, o Instituto Internacional de Fotografia, a maioria dos cursos é voltada para a Fotografia de Moda.

Melissa Szymanski, que trabalhou na revista de Moda Italiana Moda Pelle e atualmente dá cursos de fotografia de moda na Escola São Paulo, na faculdade Santa Marcelina e no Instituto Europeu de Design, acredita que é na fotografia de Moda que há maior liberdade estilística. ”Na fotografia de moda você pode ir mais longe em termos criativos. Uma revista sempre impõe uma linguagem própria, mas no fotojornalismo, por exemplo, existem limites maiores, você tem de mostrar as coisas In Natura.” Ela também lembra que, embora exista essa liberdade em algumas publicações , essa não é a moeda corrente na mídia brasileira: “Ainda falta espaço para os fotógrafos buscarem  uma linguagem mais autoral”. Lamenta Melissa.

Danilo considera que, embora as revistas ainda concedam bom espaço criativo para os fotógrafos, isso está mudando devido à forte influência do fator comercial nas redações. “O mercado está mudando muito. No passado, os editoriais de moda das revistas eram mais criativos do que as campanhas publicitárias, mas atualmente, devido às crises e cortes de custos, além de um controle maior do setor comercial sobre as redações, elas estão mais contidas, investindo menos em editoriais”, diz.

O controle da execução de um editorial de moda é realizado pelos produtores da redação, que além de escolher os fotógrafos, acompanham o processo criativo e as sessões de fotos. “Primeiro, existe uma exigência jornalística, uma mensagem que a redação quer passar.  Depois a redação escolhe um colaborador que tenha afinidade com este tema. A partir daí, a produtora de Moda mantém contato direto com o fotógrafo” Explica Danilo.

No set, além do Fotógrafo e da produtora, sempre existe um equipe de apoio, formada por maquiadores, cabeleireiros e outros profissionais que contribuem para o bom resultado. Segundo Danilo, uma boa imagem não é apenas mérito de quem está atrás das câmeras, mas de toda a equipe. “Não é só o fotógrafo que cria uma imagem, nem só a produtora, nem só a modelo. É a equipe. Se a luz ou a maquiagem ou qualquer outro elemento estiver errado, tudo sai errado. No dia da realização do ensaio, todo mundo tem que estar aliado, pensando da mesma forma.”

Esse negócio de fotógrafo trabalhar isolado é uma balela, tem sempre uma equipe envolvida. É o conjunto que faz sair uma foto boa, não apenas um elemento isolado. Todos os envolvidos têm que entender da imagem que vai ser realizada” Reforça Melissa.

No entanto, Danilo lembra de que nem sempre é fácil fazer parte dessas equipes. Assim como o jornalismo de moda, a fotografia também ainda é um mercado restrito. “É um ambiente muito pequeno. Muitas pessoas vêem esse meio como “cheio de panelinhas”, mas isso é networking. Um fotógrafo tem que trabalhar com pessoas que tenham o mesmo estilo dele, a personalidade parecida. Senão, cada um puxa para uma direção diferente e não sai um produto legal.”

Segundo o fotógrafo, embora seja um mercado pequeno, a fotografia de moda está em expansão no Brasil. Além de atrair novos fotógrafos , também está ganhando reconhecimento internacional.  “A fotografia de moda ainda não é tão reconhecida lá fora, mas isso está mudando e o mercado está crescendo. O olhar brasileiro, além de estar sendo apurado, está sendo reconhecido no mundo.” Explica Danilo.

Tão importante quanto os textos, a fotografia de moda cresce no Brasil juntamente com as publicações, pois afinal, como afirma a jornalista Deborah Bresser, “Moda é essencialmente imagem”.

Confiram a matéria aqui: http://www.iif.com.br/downloads/materia_casper_libero.jpg

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