// A eterna utilidade do fotômetro

Outro dia mesmo eu estava andando pela Rua 7 de Abril, o point fotográfico de São Paulo, e fiquei impressionado com a quantidade de fotômetros e flashmeters à venda nas vitrinas de usados, por preços baixíssimos. Por que uma coisa dessas?

Fato é que a resposta instantânea do monitor LCD das câmeras digitais, associada ao histograma, trouxe uma aura de obsolescência para os bons e velhos flashmeters, fotômetros e chassis Polaroid, mas numa época em que trabalhamos tanto para ter o tal do controle da imagem, isso não seria um contrassenso? Com certeza é, mas é porque subestimamos a capacidade de um aparelhinho desses, frente ao histograma e ao fotômetro embutido da câmera. E é engraçado ver a expressão de estranhamento em alunos e colegas quando saco um flashmeter para fazer medições – o que ocorre sempre, até em externa, a menos que eu esteja utilizando um sistema TTL.

Por que eu estaria usando um flashmeter/fotômetro?

CONSISTÊNCIA

Um fotômetro de mão tem a seu lado uma enorme vantagem: a consistência de seu resultado. A fotometria de uma SLR, no modo matrix, por exemplo, leva uma série de variáveis em conta, e assume várias coisas.

Em primeiro lugar, o fotômetro da câmera mede a luz refletida pela cena, e assume que sua média seja cinza médio. Fotografe uma folha branca usando o fotômetro da câmera e terá uma subexposição de cerca de 2 pontos. Fotografe uma folha preta da mesma maneira e terá uma superexposição equivalente. O que nos deixa em dúvida sobre a precisão da medição.

Para melhorar seu desempenho, o fotômetro da câmera compensa essas imprecisões levando em conta o tamanho do assunto principal em relação ao fundo, o contraste entre eles, e processando essa informação através de algoritmos próprios de cada câmera. O que é suficiente para fazer a exposição sugerida variar, simplesmente mudando a posição da câmera de horizontal para vertical. O que é o tipo de coisa que me obriga, por exemplo, a trabalhar basicamente em fotometria pontual e configurar a câmera para fotometrar e focar em botões separados, mesmo utilizando um moderno sistema TTL.

Já com um fotômetro de mão, você está medindo a luz incidente. Com a bolinha branca – que é basicamente um difusor, que tira a média da luz que chega ao objeto – direcionada para a câmera, a medição fica diferente. Ao contrário do fotômetro da câmera, que mesmo em pontual assume que a área selecionada é cinza médio, o fotômetro de mão calcula que abertura, velocidade e ISO são necessários para que, naquela luz incidente, um objeto cinza médio seja registrado como um cinza médio. Todos os outros tons assumem seus lugares adequados nessa regulagem – sejam os tons escuros ou altas luzes. Independente de como você esteja enquadrando seu objeto e quais outros assuntos entram e saem de quadro, o registro será adequado.

Muito se pode dizer de uma imagem apenas olhando para seu histograma. Infelizmente, qual é o tom de cada área não é uma dessas coisas. O histograma reproduz um apanhado geral da distribuição tonal da imagem, dando uma boa ideia do contraste geral e nos permitindo saber se a cena toda está dentro de nossa latitude, além de informar se estamos OK, superexpostos ou subexpostos. Mas não nos permite saber, por exemplo, se o tom de pele está sendo adequadamente exposto, por exemplo. Frequentemente uso de fotometria pontual para “pescar” o tom de pele para clicar com flashes TTL, mas mesmo assim isso me prende ao tom de pele cinza médio – pequenas correções são sempre necessárias na pós produção, ou uma pequena compensação de +1/3 EV na câmera ou flash pode fazer o serviço de clarear a pele, por exemplo.

NO ESTÚDIO

Uma das principais capacidades desse brinquedinho é calcular a relação entre as fontes de luz – basta usar preferencialmente um difusor plano (que costuma vir com o flashmeter, se não tiver um, pode usar a bolinha, mas desligue as outras tochas) e apontar o flashmeter para cada uma das fontes. A proporção entre elas será precisamente medida, o que nos permite antecipar o aspecto e contraste da imagem sem dar um único clique. Pense comigo: o que impressiona mais um cliente? Você clicando a esmo e ajustando as luzes por tentativa e erro ou você sacando um pequeno aparelhinho, fazendo algumas medições e, como por milagre, conseguindo o efeito de luz pretendido já no primeiro clique?

Uma vez com as relações de luz estabelecidas, para obter a exposição geral (aquela com que regulamos a câmera), basta trocar o difusor plano pelo domo (é, a bolinha branca se chama domo difusor), colocar o flashmeter no lugar do objeto e virá-lo de frente para a câmera. O domo irá captar luz numa abrangência de 180 graus, levando em conta a eventual perda de potência que uma luz lateral tem em relação a uma frontal, por exemplo. Usar a leitura da luz principal na regulagem da câmera também é um recurso utilizado por muitos fotógrafos.

EM EXTERNA

Na externa, com luz natural, a utilização é mais simples – usa-se apenas o fotômetro com o domo virado para a câmera, fazendo a leitura geral. Leituras localizadas costumam ser necessárias apenas quando se adiciona luz artificial à equação, ou quando o contraste da cena é complicado de capturar.

VERSATILIDADE

Leituras de luz refletida também podem ser feitas com o fotômetro – basta remover os difusores e apontá-lo para o objeto, do ponto de vista da câmera. Alguns fotômetros possuem acessórios que limitam a medição de luz refletida a ângulos de visão tão pequenos quanto 1°, uma medida mais estreita e precisa do que a medição pontual da maioria das câmeras. Uma delícia para trabalhar com sistema de zonas e cenários com um contraste muito alto.

CONCLUSÃO

Investir ou não seu dinheiro em um fotômetro ou flashmeter é uma decisão que tem causado muitas polêmicas. Na minha opinião, esta é uma ferramenta indispensável, que acrescenta precisão, objetividade e profissionalismo ao seu trabalho – ficar “apanhando” de uma contraluz que se recusa a ficar boa não é exatamente minha ideia de eficiência, ainda mais com um cliente presente. Recomendo fortemente que experimentem, mas estejam preparados: fotômetro vicia!

*matéria originalmente publicada na revista Photos e Imagens, número 76

*Alex Villegas é fotógrafo e photoshopper, com mais de 10 anos de experiência em tratamento de imagens, produção gráfica e design. É autor do livro O Controle da Cor – Gerenciamento de cores para fotógrafos e ministrar cursos sobre o assunto no IIF

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