// Review da Exposição: Valise Mexicana de Robert Capa, Gerda Taro e David “Chim” Seymou, no Caixa Cultural

Para quem não conferiu a exposição Valise Mexicana, exposta na Caixa Cultural (Praça da Sé), gratuitamente, ainda poderá aproveitar os últimos dias, já que os negativos e originais da sangrenta Guerra Cívil Espanhola, produzidos pelos fotógrafos Capa, Chim e Taro estarão disponíveis no espaço até 02 de Outubro. Mas, para quem, mesmo assim, não terá a oportunidade de visitar o espaço, o Photomag se encarregou dessa difícil missão de visitar o espaço e revelar qual é a experiência de estar, frente a frente, com fotografias desaparecidas desde a Guerra, recuperada no México, em 2007, graças os esforços dos ICP e expostas pela primeira vez no Brasil.

Contextualização

Antes de poder falar do trabalho desses três fotógrafos (e até mesmo explicar quem são eles, para aqueles um pouco mais desinformados), será preciso uma breve contextualização do que foi a Guerra Civil Espanhola, que eclodiu em 19 de Julho de 1936. É preciso recordar que estamos às portas da 2ª Guerra Mundial (1939 a 1945) e que o triste desfecho desta guerra  (todas as guerras têm um triste desfecho, pois muitas vidas são perdidas, afinal), favorável aos fascistas e o regime Franquista (do general Francisco Franco), encorajou ainda mais os desejos de dominação dos líderes do que futuramente  seria o Eixo, Adolfo Hitler e Benito Mussolini, que inclusive, vendo a vitória de Franco sobre os republicanos, enviaram recursos extras para um massacre dos civis espanhóis.

Você pode não estar lembrado das aulas de história, mas certamente se recorda do famoso quadro Guernica, de Pablo Picasso. Este quadro  retrata o bombardeamento sofrido nesta cidade, bem como em Madrid que deu, tamanha covardia, aos republicanos – ou seja, os que defendiam o lado oposto ao fascismo – coragem para lutarem, depois recebendo apoio bélico da União Soviética. São muitos os intelectuais que ficaram do lado dos republicanos, nomeadamente Ernest Hemingway, George Orwell, W. H. Auden, André Malraux e Saint-Exupéry , Simone Weil, o brasileiro Apolônio de Carvalho, fundador do partido dos trabalhadores e claro, Taro, Capa e Chim.

Os fotógrafos:

Imigrantes judeus da Hungria, Alemanha e Polônia, os três fotógrafos encontraram um  lar na vida cultural parisiense do início dos anos 1930. Amigos, eles viajaram juntos com frequência para Espanha. Cobriram a guerra, publicando nas principais revistas europeias e norte-americanas, contribuindo regularmente para Regards, Ce Soir, Vu e Life. O conjunto do trabalho dos três na Espanha constitui uma parte importante da documentação visual da guerra.

Robert Capa é considerado o pai do fotojornalismo. Judeu, foi obrigado a deixar a Hungria aos 17 anos por suas atividades estudantis orientadas à esquerda política. Começou a fotografar como forma de sobrevivência e em 1933 mudou-se para Paris onde conheceu os outros dois fotógrafo, alémd e Fred Stein. É de Capa a famosa imagem da Morte de um Miliciano ou O soldado Caído. Capa fotografou também a Segunda Guerra Sino-Japonesa, a Segunda Guerra Mundial na Europa (em Londres, na Itália, a Batalha da Normandia em Omaha Beach, e a liberação de Paris), no Norte da África, a Guerra árabe-israelense de 1948 e a Primeira Guerra da Indochina onde morreu, em 25 de maio de 1954 (aos 40 anos), ao pisar uma mina terrestre. Seu corpo foi encontrado com as pernas dilaceradas, entretanto a câmera ainda permanecia entre suas mãos.

Gerda Taro, foi uma das primeiras mulheres a serem reconhecida fotojornalista. Nasceu na Alemanha, nasceu em família burguesa, mas sempre participou de movimentos de contestação de manifestações trabalhistas. Foi noiva de Capa, com quem aprendeu o oficio da fotografia e logo estavam trabalhando como freelancer para a imprensa francesa. Taro tem um estilo semelhante ao de Capa, mas suas fotos são muito mais dramáticas e mórbidas. Enquanto cobria a batalha de Brunete, foi esmagada por um tanque e faleceu, aos 27 anos, sendo a primeira fotógrafa a morrer durante o trabalho.

David Seymour, ou Chim, como era mais conhecido, foi um fotógrafo polonês radicados nos Estados Unidos. Diferente de Taro e Capa, não arriscou tanto a vida nos frontes de batalha e retratou importantes personalidades da época, soldados, generais e até os camponeses trabalhando na cidade. Fundou com Bresson e Capa a agência Magnum, da qual se tornou presidente depois da morte de Capa. Ocupou o cargo até 1956, quando foi metralhado (junto com o fotógrafo francês Jean Roy) por soldados egípcios, enquanto cobria o armistício da Guerra do Suez em 1956, tinha 44 anos.

A exposição:

Depois dessa longa contextualização da Guerra e dos fotógrafos, ora de falar da exposição em si. Ocupando dois andares da Caixa Cultural, as séries estão organizadas pelo nome dos fotógrafos, primeiro as fotografias de Chim, seguidas de Taro e finalmente Capa – há fotografia de Fred Stein,com as icônicas imagens de Taro dormindo e numa maquina de escrever, com um humor impecável – e há também um vídeo muito didático, produzido por Capa e, ninguém menos, que Henri Cartie Bresson, que tinha o objetivo de conseguir mais voluntários para o lado dos republicanos.

Os negativos foram coloridos digitalmente de preto e branco e é possível, com uma lente de aumento disponível abaixo de cada uma das séries, olhar minuciosamente cada detalhe que há nas composições.

Todas as batalhas relatadas estão explicadas em breves textos ao lado das sequências e as fotos icônicas, que foram publicadas nos jornais da época (que estão inclusive expostos no mesmo espaço) passam a ter um outro significado, quando se é possível ver a sequência inteira que produziu aquela imagem, ou seja, tudo o que estava antes e tudo o que veio depois.

Para ter uma noção ainda mais clara da exposição e ver um pouco das imagens que ali estão reproduzidas, a Caixa Cultural disponibilizou um catálogo online, com 82 páginas, explicando com mais detalhes a busca pela Valise, o trabalho dos fotógrafos e o contexto das batalhas que acompanharam.

Você poderá fazer o download gratuito deste conteúdo acessando:

http://www.caixacultural.com.br/cadastrodownloads1/Cat%C3%A1logo%20A%20Valise%20Mexicana.pdf

E se você gostou deste conteúdo e quer ver mais matérias como essa, comente nas nossas redes sociais, ou nos comentários do Photomag. Também não deixe de compartilhar esse conhecimento com seus colegas fotógrafos e aproveite para visitar a exposição, que irá até o dia 02 de Outubro!

– Laís Reis 

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