// Para que serve a fotometria?

Já estamos cansados de saber que para tirar uma boa foto, devemos adequar a quantidade de luz que entra na câmera e chega ao sensor, e para isso, devemos equilibrar três aspectos essencialmente: a abertura do diafragma, a velocidade do obturador e a sensibilidade do sensor. Mas como sabemos qual é a quantidade de luz correta para registrar a imagem? Como saber se a exposição está correta? A resposta é medir a quantidade de luz existente no ambiente, tarefa que fica por conta de um pequeno dispositivo chamado fotômetro.

O fotômetro é capaz de avaliar a quantidade luz presente em um local a partir de uma matriz de fotodetectores de selênio, sulfito de cádmio ou silício, que produz eletricidade ao ser atingida pela luz. A voltagem gerada é proporcional à quantidade de luz, sendo possível a determinação dessa quantidade em EV e a combinação adequada de abertura, velocidade e ISO.

Exposição automatizada

Nem sempre é necessário introduzir os valores de abertura e velocidade manualmente para trabalhar com a exposição sugerida pelo fotômetro. É possível usar configurações automatizadas, utilizando diferentes modos de exposição.

P (auto-exposição programada)

Com esse modo, a câmera ajusta automaticamente os valores de tempo e abertura para obter a exposição correta, os outros controles ficam disponíveis para o fotógrafo, que pode ajustar o tipo de sistema AF, definir nitidez, contraste, saturação e tonalidade, calibrar a balanço de cor, optar pelo uso ou não do flash embutido, escolher o ISO do sensor, entre outros ajustes.

Tv/S (exposição automática com prioridade de velocidade)

Nesse modo, o fotógrafo ajusta a velocidade do obturador manualemente e a câmera automaticamente calculará a abertura do diafragma adequada para um valor de exposição correto. Dessa forma, o usuário tem controle sobre o efeito de congelamento ou movimento da imagem capturada.

Av/A (exposição automática com prioridade de abertura)

Nesse modo, o fotógrafo ajusta a abertura do diafragma manualmente e a câmera ajusta automaticamente o valor de velocidade do obturador para uma exposição correta. Assim, o fotógrafo tem controle sobre a nitidez e a profundidade de campo da cena.

Como se lê a luz?

Os primeiros fotômetros funcionavam sendo apontados para a cena a ser medida – a luz refletida pelo local é medida em sua intensidade e uma determinada exposição é recomendada.

Com o tempo, surgiu o fotômetro embitudo nas cãmera, captando a luz através das lentes , o que permitiria uma medição mais precisa, já que erros na orientação do dispoditivo de mão poderiam levar a problemas de exposição. A princípio, com o fotômetro embutido, a cena analisada seria exatamente aquela a ser enquadrada, com qualquer lente utilizada.

Porém, esse aparelho, embutido ou de mão, ainda tem um problema. A medição da luz e a consequente informação sobre a exposição são resultados da luz que o objeto reflete e não da luz que incide sobre ele. Mas quanta luz um objeto reflete?

A solução para essa questão é estimar uma média, supondo que a soma das tonalidades de uma cena, com claro e escuros, seja um cinza médio. Assim é possível determinar a exposição sem problemas a partir da luz refletida.

No entanto, nem tudo pode ser considerado cinza médio. E quando um objeto de outra tonalidade domina a cena e altera aquela média citada, o sistema de fotometria não consegue captar a quantidade de luz precisamente.

Para contornar essas dificuldades, os fotômetros foram evoluindo ao londo dos anos, adotando diversos modos de fotometria, com algoritmos variados que avaliam a cena de diferentes maneiras que não somente a média dos tons da imagem.

Modos de fotometria

As câmeras mais sofisticadas dispõem de mais do que um único algoritmo para processar a informação captada pelo fotômetro – essas variações são chamadas de modos de fotometria, e dentre eles, o mais usado, principalmente pelos iniciantes, é o modo estimativo.

Fotometria estimativa

Esse modo faz uma leitura da luminosidade total do ambiente e calcula um valor estimativo, além de considerar as informações sobre o ponto de foco. Isso é recomendado para imagens com transições suaves ou áreas com médio e baixo contraste. Em cenários com alto contraste, a leitura ficará falha. Mas esse recurso pode ser usado, por exemplo, em situações de contraluz em que se deseja obter a silhueta dos objetos.

Compensação de exposição

Quando a média dos tons de uma imagem é diferente do tom de cinza para o qual o fotômetro está calibrado, surge um problema: se zerarmos o dispositivo, estaremos usando a informação incorreta de luminosidade. Uma cena padrão terá tons dentro do usual, como na imagem 1.

Se examinarmos a cena com os tons mais claros, teremos uma grande diferença na média, como na imagem 2.

Para ser representada corretamente, essa cena precisaria de uma exposição maior do que a média, provavelmente na faixa de +1 da escala do fotômetro. Deixando entrar mais luz, fazemos com que a foto toda tenha tons mais claros. Caso o fotômetro fosse zerado, a cena ficaria como a imagem 3.

E isso acontece com cenas escuras. Na imagem 4, a média desejada é mais escura do que a que o fotômetro tem como referência.

Já na imagem 5, a exposição desejada está por volta de –1 na escala do fotômetro e destruiria a imagem.

Em suma, é fundamental pré-visualizar os tons da cena ao fotografar, pois alguma correção pode ser necessária em relação ao que o fotômetro indica.

 

-Por Vivian Kuppermann Marco Antonio

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