// Palavrinha sobre preço e valor

Texto do Prof. Alex Villegas. Você pode ler outras coisas que ele escreve clicando aqui.

Quanto você cobra? – é o que sempre me perguntam, e não é resposta que fica sem tréplica. Fatalmente, chega a hora em que o camarada pergunta como eu cheguei nisso. Essa pergunta é muito mais difícil de responder do que a primeira, e é frequente o fotógrafo se embananar nessa hora.

Outro dia vi no blog Petapixel um post com uma resposta de uma fotógrafa a uma noiva enfurecida, que questionava o porquê de um fotógrafo de casamento cobrar 3000 dólares na região de Seattle, nos EUA.

Algumas frases traduzidas ao acaso:

“Sou uma noiva que está se casando este verão e ainda não conseguiu encontrar um fotógrafo divertido, talentoso e excepcional por um preço decente”.

“Por quê fotógrafos acham que podem cobrar 3000 dólares por fotos de casamento? Só porque a palavra ‘casamento’ está envolvida?”

“Tudo o que vocês fazem é sair por aí, fazendo toneladas de fotos e escolhendo… e isso custa 3 MIL! É loucura ganhar tanto dinheiro”

Suficiente, né? O original está linkado logo acima.

Gursky: “tá caro porque o print é grande…”

 Mas a resposta me impressionou mais ainda: uma fotógrafa da Pensilvânia resolveu responder “à altura” e deixou a coisa mais confusa ainda. Ela fez todo um malabarismo contábil para dizer que o que ela ganhava não era tanto assim – e mostrou todas as despesas que tinha, com um cálculo no mínimo duvidoso.

Mais frases traduzidas ao acaso:

“Aqui só há 4 meses de casamentos, então só consigo marcar uns 20 por ano, a 2500 dólares cada”

“Com 50000 dólares/ano, pago 15000 de impostos, o que me deixa 35000 por ano”

“Pago 500 dólares/ano de seguro, caso algum convidado seu esteja bêbado e quebre meu equipamento”

“Pago 2500 dólares por ano de telefone e Internet”

“Pago 100 dólares por ano em sapatos, porque eles gastam”

“Estou extremamente insultada pelo seu post, e espero que esta resposta esclareça o porquê de cobrarmos 3000 dólares por memórias que irão durar para sempre”

Novamente, suficiente, né? Obviamente, essas contas são estranhas, e todo mundo começou a contestá-las nos comentários. Nem eu engoli isso, e fiquei pensando: mas porque raios esta moça está se justificando desse jeito?

O valor de uma fotografia ou cobertura fotográfica é altamente subjetivo.  Estamos estudando tanto marketing, SEO, divulgação pelas redes sociais, contabilidade, que estamos nos esquecendo do mais importante.

Esquecendo que somos fotógrafos. Estamos nos concentrando mais em “como vender” do que em “o que estamos vendendo”.

OK, temos de sobreviver, e realmente as planilhas são úteis – mas são apenas parte da coisa. Uma galerista certa vez me contou que tinha acabado de vender um Mario Cravo Neto por um valor que chegava aos cinco dígitos. Obviamente, fiquei curioso e perguntei porque valia tanto – e a resposta dela me surpreendeu.

Ela não falou das despesas da galeria, nem do aluguel, nem do preço da ampliação em papel de algodão, nem de como é difícil achar quem faça Cibachrome/Ilfochrome hoje em dia. Não falou do carro nem dos sapatos do Mario.

Simplesmente disse que foi porque era uma das fotos mais impressionantes do Mario Cravo Neto, e que ela podia pedir esse valor – era um Mario Cravo Neto, afinal. Artista consagrado e que tinha publicado e exposto muito até chegar nesse patamar.

Ela me mostrou algumas coisas do acervo dela – com o maior carinho e cuidado, e saí de lá convencido do valor desses objetos. Volta e meia vou a galerias e saio certíssimo de que teria saído com uma foto debaixo do braço, se minha conta bancária permitisse.

Como estou tentando trazer isso para minha vida pessoal? Da seguinte forma:

Em primeiro lugar, fiz todo o dever de casa – sei quanto custa manter meu material funcionando e segurado, sei quanto custa meu dia de trabalho, sei quanto é o mínimo que posso cobrar por uma sessão de fotos. Não vou entrar no mérito das planilhas aqui – isso está muito melhor detalhado na excelente série de posts “Como Cobrar Por Serviços Fotográficos”, no blog do fotógrafo Geraldo Garcia. Qualquer coisa como o valor de um workshop particular, ou uma sessão de retratos, ou um catálogo. Isso é preço, e é importante, mas não é tudo.

Depois vem a parte cabeluda – esqueci da contabilidade, olhei para meu próprio trabalho e me perguntei: Vale isso?

Eu mesmo pagaria esse valor por essas fotos? Elas fazem jus ao que peço?

QUANTO VALE O MEU TRABALHO?

É um golpe duro perceber que o seu trabalho simplesmente não tem personalidade suficiente para que alguém se disponha a pagar o que você está pedindo. E você tem duas opções:

  • baixar o preço;
  • melhorar o trabalho.

Se você fez a lição de casa direito, sabe que baixar o preço não é uma opção. Então é rumar de volta para a prancheta, para o estúdio, para os livros, para o atelier de impressão. Trabalhar até ter algo na mão pelo qual as pessoas possam se apaixonar a ponto de não questionar o porquê daquele preço. O camarada pode até chorar o clássico descontinho, mas ele não está questionando. Está simplesmente querendo ser mimado.

O maior elogio não é quando alguém olha suas fotos e diz “que lindas” (ou pior , “que perfeitas” – seja lá o que isso quiser dizer). É quando alguém pega um print seu na mão e diz, com os olhos brilhando:

– “Isso aqui deve ser caro, hein? Eu realmente queria um assim”

Isso é valor. E é o valor que justifica o preço – isso também é importante.

Cadastre-se e receba as principais novidades do ramo da fotografia.

Posts Relacionados

Você conhece o poder da marca?

Você conhece o poder da marca?

No mundo empresarial, a marca é a assinatura, o carimbo, a identidade do seu...

Como superar o desafio de vender sua fotografia?

Como superar o desafio de vender sua fotografia?

Olá, fotógrafo! O que você sente ao ouvir a palavra "vendedor"? Em...

Primeira edição do Photo Meeting coloca os negócios no foco dos fotógrafos

Primeira edição do Photo Meeting coloca os negócios no foco dos fotógrafos

Nos dias 20 e 21 de março, o Instituto Internacional de Fotografia promoveu o...

Sete motivos para participar do Photo Meeting

Sete motivos para participar do Photo Meeting

O início de um novo ano traz a oportunidade de começar novas aventuras e dar...

Clique aqui para receber mais informações

Parceiros