Impressora Giclée: Um guia para iniciantes

Atualmente vemos um considerável aumento na demanda pela fotografia impressa. Cada vez mais, artistas e fotógrafos querem ter os seus trabalhos materializados por diversos motivos: seja para expor em galerias, para vender, colecionar…

A questão é que a impressão de fotografias pode ter vários níveis de qualidade e durabilidade, e a fotografia colecionável costuma exigir o mais alto deles.  Para atender esses critérios mais elevados, foram desenvolvidas diferentes técnicas, diferentes equipamentos e diferentes suportes, criando uma espécie de sistema que se costuma chamar de impressão fineart.

A mais popular das técnicas de impressão fineart nos dias de hoje é a impressão giclée, por uma série de razões, entre as quais se pode destacar a facilidade de trabalho com arquivos digitais, sua imensa versatilidade em termos de formatos e tipos de papel e seu custo benefício bastante vantajoso.

E hoje vamos explicar como e para que usar essa técnica de impressão.

Se você quiser saber mais sobre Fine Art em geral, Alex Villegas escreveu uma matéria bem legal e explicativa sobre esse universo. Veja aqui.

Qual a diferença entre a impressora Giclée e as outras?

Giclée é um termo proveniente do francês; significa algo como “borrifo”, o que faz dela basicamente uma impressora jato de tinta, não muito diferente conceitualmente da sua impressora inkjet de escritório. Mas apenas conceitualmente: a estrutura física é bastante diferente.

Originalmente, o nome “impressão giclée” era usado para descrever reproduções digitais de artes convencionais (pintura e gravura) ou fotografia. Como essas impressoras surgiram em meados dos anos 90, basicamente não haviam arquivos originalmente digitais para se imprimir – tudo era proveniente de digitalizações escaneadas.
Atualmente, é sabido que uma impressão giclée também pode ser um material criado em um fluxo de trabalho digital em aplicativos modernos de computador como o Adobe Photoshop ou Illustrator; fotografia e ilustração digitais se tornaram dominantes, e passíveis de impressão em praticamente todo tipo de papel e todo tipo de equipamento. Por isso, muitos vão dizer que usar o termo “impressão giclée” em um trabalho é só uma forma de elevar o seu preço. No entanto, podemos visualizar três benefícios básicos no uso dessa tecnologia de impressão:

Cuidado na manufatura

Para a produção de uma impressão giclée de qualidade, muito conhecimento e atenção são envolvidos: a gama de cores é cuidadosamente controlada, os tons da imagem cuidados para que não se tornem mais escuros ou claros do que devem, a resolução do arquivo é administrada levando em consideração o tamanho da impressão e a distância de visualização. A nitidez é extensivamente analisada, pequenos defeitos da imagem precisam ser corrigidos – o que não aparece ou é perfeitamente aceitável em uma impressão comum é inadmissível em impressões giclée, é o que dizem os bons impressores.

A escolha do papel

A impressora giclée tem uma invejável capacidade de imprimir nos mais diversos tipos de papel. Papéis mais brilhantes, papéis foscos, com diferentes tons de branco, com as mais variadas texturas e espessuras podem ser utilizados, o que permite criar impressões com características que valorizem a imagem, qualquer que seja esta imagem.
Elaborados à base de algodão ou alfacelulose totalmente livres de ácidos, esses papéis têm uma durabilidade estimada que pode ultrapassar um século sem deteriorações significativas, desde que bem armazenados.

Esses são os melhores papéis para assegurar a longevidade da impressão e uma reprodução de cor fiel. Um exemplo é a linha Signature Worthy da Epson, ou os Hahnemüehle Fine Art.

Esse grau de durabilidade e qualidade tem seu preço, obviamente: uma impressão giclée feita em papel de algodão ou alfacelulose chega a custar dez vezes mais do que uma impressão cromogênica comum do mesmo tamanho – impressões cromogênicas ou C-Prints são os nossos conhecidos prints digitais feitos em laboratórios fotográficos.

A tinta certa e a impressora certa

Com certeza você já deve ter reparado que nas legendas de fotos expostas em museus e galerias uma expressão específica é bastante comum: “impressão em pigmento mineral sobre papel de algodão”.  O papel de algodão você já conhece, mas o que quer dizer pigmento mineral?

A maior diferença entre a impressora inkjet padrão e a giclée é que a última utiliza tintas feitas a partir de pigmentos e não corantes como as primeiras. Tintas baseadas em pigmentos têm uma vida útil maior e podem durar até 200 anos sem desbotar, o que não acontece com os corantes. A impressora giclée é normalmente maior que uma impressora padrão e usa entre oito a 12 tipo de cores diferentes em seus cartuchos, contra as quatro das impressoras comuns. Pigmentos duram muito mais do que corantes mas tem menor poder colorífico, o que torna necessário um número de tintas básicas muito maior para que se possa ter uma grande variedade de cores. Mas, uma vez obtida, essa variedade garante uma reprodução mais sofisticada das cores impressas no produto final.

Cada fabricante tem sua solução, com diferentes cores básicas (o conjunto é chamado de inkset) e diferentes composições. A Epson por exemplo utiliza o inkset chamado Ultrachrome HDR, enquanto o inkset da Canon se chama LUCIA.

Por que usar essa técnica?

Produzir trabalhos como impressão giclée é bastante interessante pois é possível trabalhar “on-demand”. Se trata de um processo digital, não requer uma ordem de impressão muito grande nem muito tempo, além de ter uma consistência de reprodução muito elevada: impressões feitas em diferentes ocasiões são praticamente idênticas, o que não é muito comum em outras técnicas de impressão.


A curva de aprendizado do processo é mais amigável com a impressão giclée do que com as outras técnicas, então muitos fotógrafos podem se interessar em adquirir sua própria impressora e tomar controle de todo o processo, ao invés de terceirizá-lo.

E, a quem adquire uma impressão giclée, um conselho: verifique se o tipo de tinta e papel (às vezes, até da impressora) estão detalhados em algum tipo de certificado ou etiqueta. Uma impressão giclée tem a possibilidade de durar por mais de cem anos sem desbotar ou estragar, desde que se observem alguns cuidados básicos de conservação. No caso de uma eventual necessidade de restauração da obra, os dados sobre a tinta e papel são bastante úteis.

Todo o processo de produção de imagens fine art exige conhecimento técnicos e práticos. Por isso, o IIF desenvolveu o curso “Fine Art: Pós-Produção e Mercado”. Com coordenação de Alex Villegas, o curso  visa ensinar ao fotógrafo todas as etapas envolvidas no processo, desde a teoria até a montagem final, passando pelo tratamento de imagem conhecimento e escolha dos materiais e a montagens, peculiaridades do mercado e como lidar com elas, formas de comercialização e exposição.

A primeira turma começa em Maio e as inscrições já estão abertas. Confira no site maiores detalhes do curso: AQUI

Mais informações: [email protected] ou (11) 3021-3335

 

-Por Vivian Kuppermann Marco Antonio (texto) e Alex Villegas (consultoria e fotos)

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