Guia para se Profissionalizar: respondendo as principais dúvidas

A fotografia é uma arte que atrai muitos olhares. Atualmente quase tudo é fotografado. Então por que não começar a ganhar dinheiro com isso?

A carreira de fotógrafo profissional é uma excelente escolha para quem quer ser pago pelos seus talentos criativos em registrar todo e qualquer momento da vidas das pessoas e da sociedade. Boa percepção, visão e foco do seu ambiente e disciplina são essenciais nesse mercado que é bastante competitivo e exigente. Esse desafio requer tempo, esforço e dedicação.

Hoje vamos discutir as principais dúvidas daqueles que pensam em dar um passo maior rumo ao sonho de ganhar a vida com a fotografia. Vamos lá!

O que é necessário para se profissionalizar em fotografia?

O fotógrafo profissional pode se especializar em três vertentes principais.

A primeira é o atendimento às empresas, o mundo corporativo. Isto é, o fotógrafo produz imagens para promover e divulgar as empresas que podem ser usadas em catálogos, campanhas publicitárias e na internet.

A segunda é o trabalho para imprensa na forma dos editoriais que ilustram revistas e sites. Aqui, a fotografia é usada pelo cliente jurídico, mas com dinâmicas ligadas à produção ou à ilustração de matérias de conteúdo.

A terceira abrange a função social dos registros fotográficos. A fotografia captura os momentos importantes da vida das pessoas,  seja com um evento social, como uma festa de aniversário ou casamento ou ainda ensaios específicos, como de família ou de casais. Esta área, inclusive, apresenta um grande crescimento nos últimos anos.

Essas três áreas exigem especialização. O fotógrafo precisa estudar o mercado, pesquisar os fotógrafos referência que atuam no meio, quais têm sucesso e estudar sua atuação e modelo de negócio. Paralelamente é importante desenvolver uma cultura imagética, criar um repertório de imagens que possa ser usado como ponto de partida para seu projeto. E, claro, aprender a técnica.

Qual câmera eu devo comprar para atuar profissionalmente?

Há basicamente quatro tipos de câmera disponíveis no mercado.

Câmeras DSLR (Digital Single Lens Reflex): essa é a câmera, popularmente, chamada de câmera profissional. São robustas e oferecem a possibilidade de trocar a lente.

Nessa câmera, a imagem é refletida por um espelho direto, que redireciona a luz vista pela lente para o visor ótico para um visor. Quando o obturador é pressionado, esse espelho se recolhe e o sensor captura a imagem.

Na prática, uma DSLR possui muitos atributos e ajustes disponíveis, o que permite uma captura de imagem de melhor qualidade. E essas câmeras possibilitam o uso de acessórios como flashes externos.

Câmeras Mirrorless: são câmeras compactas com lentes intercambiáveis, assim como as DSLR, porém são mais leves e menores.

Essas câmeras não possuem o espelho interno para redirecionar a imagem para o visor ótico. A luz entra e atinge o sensor diretamente. A imagem não é mais vista pelo visor ótico, apenas pelo visor LCD.

Câmeras Compactas: são as câmeras mais vendidas do mercado. Pequenas, simples e práticas, elas dispensam qualquer conhecimento sobre fotografia.

No entanto, seus recursos são limitados. O sensor, que captura a luz para criar a imagem, é bastante pequeno. Isso dificulta a obtenção de boas imagens em ambientes com pouca luminosidade, já que, para compensar, o obturador precisa ficar mais tempo aberto para permitir a entrada de mais luz. Assim, o menor movimento no equipamento durante o disparp resultará em fotos desfocadas.

Câmeras Superzoom: São câmeras de porte médio com grande capacidade de zoom óptico (alguns modelos chegam a oferecer incríveis 42x de zoom).

São equipamentos excelentes para registrar os detalhes de jogos de futebol e outros esportes, peças teatrais e cerimônias em geral, também em boas condições de iluminação, já que os sensores são pequenos como os das compactas. Além disso, suas lentes não são intercambiáveis, o que também limita o seu uso.

As câmeras DSRL e as Mirrorless são indicadas para  a atividade profissional. Não é aconselhável usar as câmeras compactas nem as superzoom como equipamento profissional.

Existe um amplo leque de modelos de câmera DSRL e até os modelos mais simples destas câmeras, como a Nikon D5100, D7100 e a Canon T3 e T5, cumpre muito bem o seu papel.

 

Quais as principais funções de uma câmera profissional?

Um bom equipamento é indispensável para um trabalho de alta qualidade. No entanto, há muitos outros fatores que influenciam na qualidade de um projeto fotográfico, especialmente, a habilidade do próprio fotógrafo.

Lembre-se que os fabricantes de câmeras fotográficas estão interessadas em vender os seus produtos e investem alto em propaganda e publicidade para divulgar as qualidades e benefícios de suas câmeras, sem, necessariamente, especificar a real utilidade dos equipamentos. E, você pode acabar levando gato por lebre, com um equipamento que não supre as suas necessidades.

Danilo Russo, fotógrafo e diretor do Instituto Internacional de Fotografia, ressalta a importância de saber usar as funções dos equipamentos e aplicar os conhecimentos técnicos. “Não caia na conversa de que a câmera precisa ser profissional. Profissional precisa ser o fotógrafo, não a câmera”, afirma o fotógrafo.

Como dito anteriormente, a sugestão para quem quiser começar é comprar um modelo de DSRL. Entretanto, muito mais do que a escolha da câmera e da objetiva (da lente que será acoplada a sua câmera), o conhecimento técnico, as habilidades e percepção do fotógrafo serão decisivas para obter um material de qualidade.

Danilo fez um vídeo específico sobre esse assunto,  explicando as opções existentes no mercado e suas vantagens e desvantagens:

 

Quais habilidades são necessárias para fotografar bem?

Fotografar bem ou mal é um aspecto estético e totalmente subjetivo que depende do gosto pessoal de quem olha a imagem. Uma fotografia, que agrada uma pessoa, pode, facilmente, desagradar outra. Porém, é inegável que o domínio da técnica, da composição e da iluminação fotográfica são essenciais para um bom trabalho.

Técnica é saber usar todos os recursos que a câmera oferece: ISO, balanço de branco, exposição, entre outros. Já a composição é o conjunto de regras, tradicionalmente, obedecidas para a construção de imagens. E, por fim, a iluminação é a alma da fotografia.

Quem nunca ouviu falar que a fotografia de determinado filme ganhou um prêmio? Isso significa que a composição e iluminação utilizadas no filme agradaram aos seus jurados. Mesmo um artista que tenha o desejo de romper com as regras tradicionais da fotografia, precisa, antes disso, conhecê-las para assim conseguir desconstruí-las.

Dentro do campo de fotografia, existem ainda muitas possibilidades através da manipulação de imagens. A manipulação já existe há muito tempo, mas com o advento das imagens digitais, tornou-se muito mais fácil e prática.

 

Preciso saber fazer o tratamento pós-produção das minhas imagens?

A manipulação das imagens é uma prática bastante controversa. O importante é que o profissional tenha uma ideia clara do resultado que deseja, seja isso feito em captura ou em pós-produção.

Atualmente, um problema bastante frequente é a captura de imagem sem os devidos cuidados técnicos, apenas considerando que os eventuais erros serão consertados depois. Esta postura apenas mascara a falta de conhecimento técnico fundamental, e torna todo o trabalho ineficiente, já que, muitas vezes, o tempo gasto para “corrigir” a foto é bem maior do que o tempo que seria necessário para capturar a imagem corretamente.

Deixando de lado essa função corretiva duvidosa dos programas de manipulação de imagens, o tratamento das imagens, quando bem utilizado, é uma parte fundamental da finalização das imagens digitais e, por isso, é um conhecimento importante para o fotógrafo. O uso avançado do Photoshop, por exemplo, cria resultados extraordinários que não são possíveis exclusivamente em captura. Neste caso, fusões de imagens, uso seletivo de cores, máscaras, montagens e dezenas de outras técnicas permitem criar cenas imaginárias com aparência completamente realista e de bom gosto.
É importante ressaltar que saber manusear programas de edição de imagem não significa necessariamente manipular suas imagens até elas ficarem completamente diferente do original. São casos muito específicos em que isso acontece.

Além do mais, com o fluxo de imagens maior, à medida que você conquista mais espaço no mercado, programas como Lightroom permitem o gerenciamento de imagens de uma maneira eficiente. É possível ainda terceirizar esse trabalho aos chamados retoucher, ou seja, profissionais especializados em tratamento de imagem.

Entretanto, se você está começando, o mais provável é que precise saber editar suas próprias fotos, pelo menos o básico, e ir, ao poucos, se aperfeiçoando.

 

Preciso me especializar?

Não necessariamente. Há uma grande quantidade de fotógrafos que trabalham, ao mesmo tempo, com diferentes áreas da fotografia.

O ideal, no entanto, é que você nunca pare de estudar e continue sempre procurando informações para estar atento ao mercado e oferecer opções mais atrativas que seus concorrentes.

Entre as especializações em fotografia mais comuns e que oferecem a maior possibilidade de entrada no mercado estão as áreas de produto, ou seja a fotografia de objetos que serve muito às campanhas publicitárias; a de retrato, que são ensaios com pessoas de todas as idades e pode começar até mesmo com bebês recém-nascidos, gestante, casais, bandas de música, book fotográfico entre outros; e de casamento, que o próprio nome dispensa explicações.

Outra opção, menos comum, é o trabalho autoral, que refere-se ao fotógrafo-artista, ou seja, aquele que vê a fotografia não apenas para ser comercializada, mas para dar conta de um desejo de expressão. Ela é produzida para ser exposta em galerias e composta em séries que trazem todo um pensamento artístico.

 

Como construir o meu portfólio?

O portfólio é o cartão de visitas do fotógrafo. Sua construção exige muita atenção e ela será determinante para o fotógrafo conquistar o seu espaço no mercado

Ao mesmo tempo, o portfólio precisa ser estruturado de maneira que reflita o tipo de fotografia que o fotógrafo produz e seu estilo. Além do tradicional portfólio em álbum, há muitas opções de portfólio online.

Dessa forma uma orientação de quem já é profissional é de grande ajuda para aqueles que estão começando. Também é mais fácil para quem já conhece o gosto dos clientes avaliar um portfólio apontando aquilo que funciona ou não, segundo o seu desejo.

 

Como a lei age sobre exercício da profissão?

Há uma série de questões jurídico-legais essenciais para o exercício da profissão de fotógrafo.

O direito autoral e o de imagem são aspectos muito sérios e, pouquíssimas vezes, recebem devida atenção, o que pode gerar uma série de problemas aos fotógrafos que não se informarem devidamente sobre esse assunto.

É fundamental esclarecer todas as dúvidas sobre esse assunto para poder trabalhar com segurança e transparência.

Como abrir meu próprio negócio na fotografia e captar clientes?

O maior medo de qualquer pessoa que tenha o seu próprio negócio, seja no ramo da fotografia ou em qualquer outro setor, é a falta de clientes.

O que você deve saber é que a maneira como você irá gerir o seu negócio será determinada por muitos fatores, como o seu público alvo, por exemplo.

Nesse caso, o melhor é sempre estudar. Noções de gestão e de marketing serão muito úteis e você precisa encontrar pessoas que sejam especializadas nesses assuntos para obter uma base sólida e consolidar o seu trabalho do mercado.

 

 

 

– Por Vivian Kuppermann Marco Antonio

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