// Fotografar pelas ruas

Pelas lentes dos franceses Henri Cartier-Bresson, Robert Doisneau, do romeno Brassai, do polonês Alfred Eisenstaedt e dos americanos William Klein e Helen Levit – só para citar alguns nomes – surgiu a ideia de fotografar as cenas do cotidiano das pessoas no meio da rua. Essa modalidade, chamada de street photography pelos americanos ou de fotografia humanista pelos europeus já consagrou diversos nomes, que usaram e usam a rua como o palco do “show da vida” para imortalizar o dia-a-dia de homens, mulheres e crianças que passam por lá.

O fotógrafo que atua nessa vertente tem a opção de documentar as cenas da vida cotidiana, captar as interações entre pessoas e grupos, mostrar multidões, destacar um detalhe inusitado da vida urbana ou até mesmo imortalizar momentos decisivos e históricos em casos de guerra, por exemplo, ou ainda registrar o lado sinistro dos bairros violentos das grandes metrópoles, incluindo aí uma crítica social.

A missão consegue ser simples e complicada ao mesmo tempo. Simples porque basta sair às ruas com uma câmera na mão. Complicado porque conseguir registros interessantes não é tão fácil assim. Por isso, selecionamos algumas dicas que podem ser bastante úteis para você se dar bem com a street photography. Vem ver!

EQUIPAMENTO

Qualquer câmera serve para fotografar pessoas pela rua. A qualidade óptica não é a primeira preocupação nessa modalidade. A câmera compacta tem a vantagem de ser discreta e fácil de carregar e oferece uma profundidade de campo maior – para todos os planos em foco – enquanto que a DSLR permite destacar um tema desfocando o fundo por causa da profundidade de campo menor.

Recomenda-se, no entanto, ao optar pela DSLR, evitar as teleobjetivas por serem grandes, pesadas e nada discretas. Alguns especialistas, inclusive, falam que as lentes grande-ocular (distância focal menor) são as mais adequadas para a fotografia de rua (até 35mm para sensor full-frame ou 24mm para APS-C). Nesse caso, elas obrigam o fotógrafo a entrar na ação da cena fotografada.

Objetivas de distância focal fixa (geralmente 24, 28 35 ou 50 mm) unem a discrição à qualidade a à abertura ampla, facilitando a captura em ambientes mais escuros e permitindo destacar os temas, desfocando o fundo. Elas também propõem um excelente exercício para praticar composição com equilíbrio, pois exigem que o fotógrafo se mova para encontrar o melhor enquadramento. Lentes zoom podem ser bastante eficazes na rua graças a sua versatilidade.

A distância focal a ser usada depende muito do que se deseja fotografar. A grande-angular é ótima para captar cenas de vida mais amplas e representar o tema no ambiente. Para retratos, uma distância focal maior pode ser mais interessante e também permite ao fotógrafo uma certa discrição já que é possível manter-se à distância do objeto fotografado.

AJUSTES

De modo geral, curtos tempos de exposição funcionam bem para fotografia de rua. E uma menor abertura de diafragma permite alcançar uma maior profundidade de campo de maneira a deixar todos os planos nítidos.

No entanto, essas duas configurações diminuem a quantidade de luz que chega ao sensor, então é preciso buscar um equilíbrio entre elas e a sensibilidade ISO para obter um resultado dentro do aceitável no sentido de ruídos na imagem.

Sempre que possível, deixe o ISO no automático com o limite nos 800 (ou mais, caso a câmera tenha uma bom desempenho em alta sensibilidade).

Para fotos mais diferentes, a escolha de uma velocidade lenta ajuda a borrar os movimentos das pessoas, sugerindo a agitação da rua e trazendo dinamismo à imagem, ou, ao contrário, optar por uma diafragma bem aberto reduz a profundidade de campo e o fotógrafo consegue destacar um rosto no meio da multidão.

A exposição e o equilíbrio de branco podem ser deixados no automático e alterados somente em casos incomuns, como ambientes bem escuros, muito claros ou com luzes artificiais. Alguns testes e um pouco de prática ajudarão você a identificar o ajuste correto.

COMPOSIÇÃO

Obviamente, vamos apelar pela regra dos terços: posição ideal dos elementos fortes nos terços da imagem. Fique atento a detalhes, pois eles são o foco de interesse do observador. É sempre bacana ter vários pontos de destaque no quadro para guiar quem olha a imagem, mas sem pecar pelo excesso e poluir a foto. Isso pode ser um pouco complicado com uma grande-angular já que ela inclui mais elementos no quadro. Fique atento aos pequenos detalhes. Um olhar sensível e cuidadoso é essencial para garantir imagens interessantes. Use e abuse de ângulos originais que possam garantir cliques autênticos.

Se quiser retratar a vida cotidiana, não se esqueça do contexto (rua, arquitetura, carros, outros pedestres…). No entanto, devemos ressaltar aqui que a fotografia de rua é algo bastante pessoal, então nenhuma regra é indestrutível quando falamos dela. Qualquer preceito pode ser desobedecido para abrir espaço à criatividade e perspectiva do autor.

COMPORTAMENTO DO FOTÓGRAFO

Uma das maiores dificuldade na área da fotografia de rua é fotografar desconhecidos, muitas vezes essa situação intimida o próprio fotógrafo. Mas há alguns truques para minimizar essa timidez inicial. O primeiro é se convencer de que raramente a reação da pessoa fotografada é negativa. Mesmo assim, tenha sempre uma resposta pronta para quando te perguntarem sobre o que você está fazendo. Explique que se trata de um projeto artístico e que você fotografa a rua e os passantes.

Outra dica é sair em grupo, caso não se sinta confortável sozinho. Isso é legal até mesmo em termos de segurança, né?

Você também pode perdir autorização da pessoa para fotografá-la. Isso traz uma certa tranquilidade, mas perde-se a naturalidade do momento. E faça a gentileza de mostrar a imagem à pessoa depois do clique.

Em geral, a ideia é que o fotógrafo passe despercebido para conseguir imagens que retratem o cotidiano com a maior naturalidade possível. Aos poucos, você perde a vergonha e começa a se sentir mais à vontade para agir de um jeito mais invisível e sem essas interferências.

Mas o mais importante é ter em mente que não há regras. Cada fotógrafo tem a liberdade para desenvolver o seu próprio estilo.

 

 

-Por Vivian Kuppermann Marco Antonio

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