Fotógrafa viaja virtualmente pelo Google Street View

Depois que uma propaganda de uma grande rede varejista sugeriu que qualquer um pode fotografar com um iPhone 7, a história de Jacqui Kenny pode agregar mais debates à polêmica.

Para superar o estresse de fechar uma empresa dez anos depois de sua criação, Jacqui, uma nova zeolandesa que mora em Londres, começou a explorar o mundo através do Google Street View. No começo, ela escolhia uns lugares aleatórios, passando por ruas de cidades distantes e tirando screeshots sempre que se deparava com alguma imagem mais interessante. Depois, ela passou a procurar por um certo padrão: regiões áridas, com horizontes claro e céu limpo, locais onde ela achava que a luz do sol surgia com uma incidência dramática sobre as ruas. Logo, Jacqui começou a passar horas e mais horas nessa exploração. Virou uma espécie de escape. Ela contou ao The New Yorker que “não sabia o que estava fazendo com a minha vida. […] Não estava preparada para encarar o mundo ainda, e isso (o projeto dos screenshots) virou o meu foco”. Depois de um ano, tirando screenshots, ela tinha acumulado um arquivo de cerca de 26 mil fotos.

Agora, Kenny posta essas imagens na sua conta do Instagram, Agoraphobic Traveller (Viajante agorafóbico, em tradução livre), fazendo referência a outro aspecto por trás da sua ideia: Jacqui sofre de ansiedade, e, num mau dia, não consegue sair de casa. Ao contrário do que muitos pensam, a agorafobia é mais o medo de perder o controle do que o medo de espaços abertos. A artista, para se ter uma ideia, não consegue ficar longe da porta de saída de um estabelecimento, e pegar um avião é outro imenso desafio. Ela conta que para ir no casamento de sua irmã, na Nova Zelandia, foi preciso meses de preparação. O Projeto Street View é um jeito que Kenny encontrou para visitar lugares para onde ela dificilmente irá – e quanto mais remoto, melhor, ela diz.

Mas claro, que isso nem sempre é fácil e comodo. É uma prática que não está totalmente sob o seu controle, pois os ângulos e a iluminação dependem do Google. “Várias vezes, eu vejo algo que parece incrível, mas aí o carro do Google para ou alguma coisa entra no meio do caminho. É o que acontece 90% do tempo. Eu sempre tenho que estar preparada para esse disapontamento”, ela explica.

Muitas de suas fotos representam uma céu limpo e claro, com cores em tons pasteis. Parecem terem sido tiradas no mesmo lugar, mas, na verdade, suas fotos vão desde Lima, no Peru até Sharjah, no Emirados Árabes.

Kenny não se considera uma fotógrafa, mas claramente tem um olhar bem particular. Paisagens rígidas e arranjos ordenados chamam a sua atenção: linhas retas de uma estrada à distância, uma árvore em prefeita simetria, casas idênticas alinhadas perfeitamente, pessoas uniformizadas na estrada. Com um pouco mais de atenção é possível começar a identificar as regiões com pequenos detalhes – Mongolia pelos seus cavalos ou Arizona pelos seus cactos, por exemplo.

O seu recorte é lindo, e não à toa, o seu perfil no instagram conta com mais de 50 mil seguidores.

Confira algumas fotos abaixo:

Via: The New Yorker

-Por Vivian Kuppermann Marco Antonio

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