// Como dirigir modelos em um ensaio fotográfico

A habilidade de dirigir modelos em uma sessão fotográfica é a chave do sucesso para o seu trabalho. Você pode ter a melhor locação, o melhor figurino, a melhor iluminação, mas se o seu modelo não transmitir o tipo certo de emoção, tudo vai por água abaixo. A sua missão, como fotógrafo, não é somente disparar o obturador e captar a imagem, você deve também ser o diretor do ensaio.

Se você já trabalhou como assistente ou segundo fotógrafo para algum trabalho, deve ter percebido que há diferentes formas de abordagem que os fotógrafos utilizam para se comunicar com os modelos durante as fotos. Alguns gritam, outros falam manso, outros nem falam. Tudo depende do estilo de cada um e de sua maneira de trabalhar, e também do nível de experiência do modelo. Há modelos que conhecem e sabem como posicionar o corpo e onde colocar as mãos e qual a melhor feição, outros não sabem nem para onde olhar.

Mesmo assim, é bom considerar que durante a sua carreira, a maior parte dos modelos que passarão pelas suas lentes precisam de uma direção e você deve falar para eles o que espera deles e qual o intuito do seu projeto. Tratando-se de modelos amadores, a direção torna-se crucial.

Para começar, reconheça a personalidade do modelo

Assim como existem diferentes tipos de fotógrafos, há diversos tipos de modelos. E não podemos nos esquecer que no final da contas, somos todos seres humanos, com distintas características cada um. Algumas pessoas são energéticas, outras são calmas. Tem gente que prefere trabalhar de manhã, outras que só conseguem focar no final da tarde. Cada pessoa é única, profissional ou não.

Por isso, gaste um tempo para conversar com o seu modelo e tende descobrir como ele é, qual é o seu humor, e explique o que você quer fazer e porque ele foi o escolhido para o trabalho. Elogios são bem-vindos, sem exageros, claro. Faça ele sentir-se especial e capaz para esse projeto. Toda essa preparação é bem rápida e não leva nem dez minutos, e faz uma diferença tremenda na sua relação com o modelo. Quando você mostra que se importa, eles vão começar a se importar também, e desse trabalho pode sair uma grande parceria para projetos futuros. Não se esqueça que networking é tudo atualmente.

Ao começar o ensaio, analise o comportamento do modelo e seu nível de energia, e acompanhe o seu ritmo. Pense nessa direção como uma dança, e você é quem deve conduzir. Caso você esteja pisando nos pés do modelo, nada vai dar certo. Se ele precisa ser conduzido de forma suave, fale calmamente com uma voz mais delicada. Se você quer registrar emoções mais fortes, comporte-se desse jeito e peça ajuda aos seus assistentes. Comecem a agir energéticamente no estúdio, com voz alta e ríspida. Isso serve para situar o modelo do que está acontecendo. Use músicas para criar o clima que você deseja e descontrair o modelo. Se ele for muito tímido, peça para os seus assistentes se retirarem até que o modelo sinta-se mais confortável.

Com alguns modelos, é interessante mostrar a eles o que funciona e o que não. Quando eles entendem isso, eles tendem a ficar mais confiantes e animados para o trabalho. Faça uma pequena demonstração do tratamento de imagens para garantir a eles que o resultado final da foto será bonito e a aparência deles está legal.

Pense no modelo como a tela em branco para a sua arte. O resultado final do ensaio fotográfico dependerá da sua criatividade e habilidade em fazer com que ele dê para você o necessário.

Em suma, tenha em mente que você é o espelho para o seu modelo. Conduza ele para o seu mundo, mas sem forçar demais a personalidade dele.

O que não fazer com o modelo:

  • Não assuma que o seu modelo sabe o que você espera dele se você não explicou tudo claramente. Modelos não leem mentes
  • Não espere que modelos não sintam fome ou frio. Analise as necessidades físicas deles. Muitas vezes, a locação é bastante fria e eles estão usando roupas de verão. Tenha sensibilidade.
  • Não use comandos estranhos ou constragedores. Aja naturalmente
  • Não demonstre insatisfação com o resultado ou incerteza com o que está fazendo. Você é o líder e as pessoas serão contagiadas com a sua energia. Mantenha a confiança
  • Não toque no modelo sem permissão. Muitas vezes, o toque pode ser mais efetivo do que palavras e pode até criar uma certa intimidade, mas pergunte antes.

Última dica

A experiência é sempre a melhor forma de aprendizado. Por que você não vira o modelo por um dia pelo menos?

Você, com certeza, tem algum colega querendo testar uma nova câmera ou um novo equipamento, ofereça-se de modelo e seja dirigido por ele. Do outro lado da lente, você verá as coisas por um novo ângulo e sentirá na pele o que um modelo sente, e assim entenderá a importância da direção do fotógrafo e como o humor dele influencia no seu. Talvez você entenda a timidez inicial e até o tédio final.

Sem dúvidas, você aprenderá muito com essa experiência e perceberá que ser modelo não é simplesmente fazer “caras e bocas” para uma câmera.

 

-Por Vivian Kuppermann Marco Antonio

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