// APLICAÇÃO CRIATIVA DE NITIDEZ – UM LUXO NECESSÁRIO

Todo mundo faz pelo menos uma pálida idéia do que é a aplicação de nitidez, e utiliza sempre, de maneira global (na imagem toda) tanto no Photoshop como no Lightroom. Esse processo é conhecido como sharpening de entrada, e existe para compensar uma certa falta de nitidez das imagens capturadas digitalmente.
Já o sharpening criativo é, por assim dizer, a cereja do bolo. Nem sempre teremos tempo hábil para fazê-lo, visto que muitos de nós têm uma carga de centenas a milhares de imagens para tratar. Tanta coisa para fazer, tão pouco tempo… mas quando se dispõe desse tempo, a diferença compensa, e compensa demais. A qualidade da imagem agradece.
Mas o que é exatamente sharpening criativo?
Ao contrário do sharpening de entrada, que é específico para compensar essa difusão natural das imagens digitais, e é aplicado na imagem toda ao mesmo tempo, o sharpening criativo é seletivo. Identificamos áreas diferentes, e aplicamos a nitidez de maneira diferente para cada uma dessas áreas – valorizando apenas o que queremos valorizar, e sutilmente sabotando as que não queremos evidenciar.
Imagens de alta qualidade possuem essa característica – tudo o que importa está em foco, e na medida certa.
FREQUÊNCIAS
Mas porque é necessário aplicar nitidez de maneira diferente para áreas diferentes? Pela própria natureza do sharpening. No Photoshop, o sharpening consiste em uma seleção das áreas de detalhe, seguida de um aumento no contraste dessas áreas.
Vamos fazer uma experiência: abra uma imagem, de preferência um retrato, em PB. Crie uma camada nova por cima, preencha com branco, reduza sua opacidade para uns 40% e mude seu blending mode para Overlay. O contraste aumentará bruscamente, e a imagem parecerá mais nítida
. Percebeu? A nitidez da imagem está intimamente ligada ao contraste.
Mas seria bom se pudéssemos aproveitar esse aumento de nitidez sem aumentar tão sensivelmente o contraste da imagem, não? É o que faremos agora.
Jogue fora essa camada branca. Agora duplique a sua imagem arrastando seu ícone na paleta Layers para o botão de nova camada (uma pagininha com a ponta virada), e rode um High Pass nessa duplicata (Filter>Other>High Pass). A imagem se tornará uma curiosa maçaroca cinza de detalhes. Mude o blending mode para Overlay e veja o resultado.
O que aconteceu? Fizemos basicamente a mesma coisa – um aumento de contraste, que é a função do blending mode Overlay. Só que nossa primeira e tosca tentativa foi na imagem toda. A segunda foi um esforço localizado. Mude a camada de volta para o blending mode Normal e observe. O cinza é onde não há aumento de contraste. A intrincada máscara branca é onde isolamos esse aumento – e quanto melhor ela reproduzir os detalhes da nossa imagem, mais nítida ela fica.
O que levanta um pequeno problema – quanto mais precisa a máscara, mais ela ressalta os pequenos detalhes, e menos ela ressalta os grandes. Chamamos isso de freqüência – uma área cheia de pequenos e delicados detalhes é chamada de alta frequência, uma área sem tanta textura e com transições grandes é chamada de área de baixa freqüência. E a grande maioria das imagens contém os dois tipos de área.
Quando aplicamos nitidez em uma única passada – o que é muito frequente quando não dispomos de tempo – há ferramentas que nos permitem chegar a um meio termo. No filtro Unsharp Mask, há três controles:
• Amount (que é a quantidade de contraste que estamos adicionando);
• Radius (que é a precisão da máscara criada para isolar os detalhes);
• Treshold (que é um freio para o efeito – quanto maior o valor, menos as áreas de baixa freqüência receberão nitidez).
Então o procedimento é usar um valor alto de Amount, um Radius baixo (o que faz com que o efeito vise as altas freqüências, criando uma máscara precisa e intensa) e retiramos os efeitos desagradáveis que isso causa nas baixas freqüências com o Treshold. Um bom compromisso entre as partes.
Mas e quando temos tempo?
UNSHARP MASK E MÁSCARAS DE CAMADA
O processo é simples: pegue sua imagem e faça duas duplicatas dela em camadas diferentes. Nomeie a primeira ‘baixas’, a segunda ‘altas’. Selecione a camada ‘baixas’ e abra o filtro Unsharp Mask.
Aqui vamos acentuar as baixas freqüências – grandes detalhes. Então vamos usar um Amount relativamente baixo, e um Radius alto, por volta de 1,5 numa imagem de alta resolução. Treshold fica zerado, a menos que a imagem necessite. Vai perceber que a imagem ganha nitidez geral, mas cabelos, cílios, texturas em geral permanecem um pouco suaves.
Selecione agora a camada ‘altas’, certifique-se que está por cima da ‘baixas’ e abra novamente o Unsharp Mask.
Desta vez, o alvo são as altas freqüências – áreas de detalhe fino. Use um valor de Amount alto e um Radius baixo, por volta de 0,7. Treshold zerado, ainda. Agora sim, os detalhes ficam perfeitos, mas com uma desagradável textura nas áreas lisas. Clique segurando Alt (Option no Mac) sobre o ícone de máscara de camada na paleta Layers (um quadradinho com uma bola dentro) e sua camada irá sumir, porque recebeu uma máscara de camada preta.
Agora é só selecionar esta camada, e com a ferramenta Brush, pincel suave carregado com branco, ir ‘pintando’ as áreas de alta freqüência da imagem com nitidez específica. Cabelos, olhos, boca, tecidos, texturas, jóias. Pinte cada uma dessas áreas e perceberá que a imagem ganha cada vez mais qualidade – sem prejudicar as outras áreas como pele e fundos. Interessante, não?
Com que freqüência isso pode ser repetido? Quantas vezes for necessário – mas resultados excelentes já podem ser obtidos com apenas duas camadas. Há também outros recursos como plug-ins e outras abordagens desse processo, como o uso de Smart Sharpen ou diversas camadas com High Pass. Procurei apresentar a maneira mais simples e fácil de entender primeiro – o resto vem com o tempo e a prática.
Adote esse procedimento quando for possível e fique surpreso com a nitidez das imagens que você é capaz de produzir com sua câmera e uma pós-produção das boas! Um enorme abraço e até a próxima edição!

 

Alex Villegas

Fotógrafo e retocador, com mais de 10 anos de experiência em tratamento de imagens, produção gráfica e design. É autor do livro, O Controle da Cor – Gerenciamento de cores para fotógrafos e ministra cursos sobre o assunto no IIF. http://alexvillegas.wordpress.com

 

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